De novo, aquela sensação. Como se tivesse havido um tempo em que lagartas teciam casulos em minhas entranhas. Hoje, eles eclodem: nascem as borboletas.
Aquela ânsia causada pelo farfalhar de tantas asas tomou conta do meu interior. Era só lembrar dos cachos dEla, que perdia o foco e sentia levitar, mesmo que levemente.
Daí a criar expectativas foi um passo: já não estava mais no mesmo lugar. Mesmo o choro da madrugada me fazia ter uma louca sintonia, onde meus pesadelos, aqui, eram realidade no pranto dEla, ao longe.
Distante, entretanto ao mesmo tempo tão perto. Um salto: já havia falado disso antes? Levitaria se conseguisse elevar tanto o corpo quanto é leve meu peito. Iria lá, se Ela me pedisse. Parece paradoxal, mas me sinto em paz quando batalho com ela.
Tudo isso fervilhando meus neurônios, e quando próximo a Ela, desarmo-me. Desmonto-me. Ainda assim, não me entrego. Sem palavras, balbucio piadas de meia graça (ou de graça nenhuma) enquanto tento voltar aos eixos.
Insucesso palpável. Ou melhor: não-palpável. Alguns esbarros, poucos toques, nenhuma carícia.
Nesse surrealismo me envolvo: talvez os assuntos inacabados [meus (e, talvez, os dEla)] sejam um muro invisível. Pode ainda ser que o receio da rejeição e o desgaste da amizade ainda coloquem uma rodada de arame farpado muro acima.
E eu, louco pra pular o muro. Me rasgar todinho. cair em frangalhos.
Sem um alicate de ousadia e uma escada de coragem, minha subversão sentimental não dará espaço à euforia que tanto borboleteia em minha barriga. Estupidamente calejado, já me vejo novamente, em outra encruzilhada. Como se fosse de novo, a enésima primeira vez.
É provável que eu não tenha aprendido a lição. Mas queria, sinceramente, que Ela não fosse a professora. Ao menos dessa aula, não.
João Pessoa, 24/03/2011.
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